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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Poesia & Prosa também servem ao exercício da Psicologia!




Caros e caríssimas.

Sou fã confesso de Eleonora Marino Duarte, poeta, boa de prosa, moça educada, sensível e de grande capacidade criativa.
Pois bem, ela tem um blog (O que é que há, Carlos Coelho? Um  Blog não, são vários!!!) chamado ab immemorabili que, traduzindo o latim, significa: "Do íntimo do peito". Pela beleza do título já se pode perceber que se trata de um sitio onde as coisas são mais íntimas e as postagens têm uma conotação muito particular. Lá ela fala, com ficção ou realidade, não sabemos, da família, dos desejos, dos amores, do passado, dos ídolos, dos segredos. 

Ao ler Eleonora, ou um dos tantos poetas e poetisas, escritores e escritoras do nosso vasto mundo, uma pessoa pode ampliar um conceito que mantinha fechado, entender um processo pessoal ou desvendar o que parecia um enigma.

Assim eu acredito, como médico e como leitor. Então me ocorreu que aqui pode ser um espaço onde eu vá colocando o que leio e dizendo o que penso sobre, sugerindo de alguma forma, uma interação sobre um tema. Que acham?

No post que destaco aqui, do blog que escolhi, a poetisa fala da manifestação de Eros, da extroversão dos desejos introjectados e da manifestação da libido, isto tudo no feminino, e eu acredito, plural. Achei muito oportuno o texto para trazer à tona um tema que ainda hoje causa confusão no entendimento entre homens e mulheres: Entender que  as mulheres têm a mesma capacidade de desejo contida em nós, os hombres... e que teimamos em achar que não, que elas precisam  de menos de sexo do que nós, que desejam corpos menos do que nós, ou que têm menos reações físicas do que nós. Tolos, é que somos, no mínimo. O Sexo, o desejo, a manifestação da libido, é absolutamente igual em homens e mulheres, quimicamente falando, apenas as necessidades biológicas são diferentes. Falando muito superficialmente, porque aqui é um blog, não um seminário do Instituto Kinsey... 

De que valem as leituras?

Como terapeuta, aprendi que as pessoas podem e devem ser motivadas a ouvirem "conselhos" vestidos em música, literatura, poesia, cinema.. Um indivíduo que está passando por um problema de ordem emocional pode sim ser tocado por um tipo de consciência sobre si e sobre os seus conflitos, apenas ouvindo uma canção do Bob Dylan, vendo um filme do Capra ou simplesmente observando um quadro de Hieronymus Bosch. A arte manifesta uma alma própria que pode tocar a nossa alma e a curar, sem que haja interferência de qualquer método terapêutico ou farmacológico, e neste sentido eu reitero a minha  a Fé na Arte e na sensibilidade das pessoas, o que é um bom motivo para eu adorar aos poetas.

Vou passar a associar a minha atividade terapêutica ao que vou lendo aqui e ali e trarei para cá, usando este espaço de partilha para promover entendimentos sobre questões de nossa alma. (É ousado? É, é sim. Eu sou ousado.) Mas é só a tentativa de um debate soltinho, sem termos técnicos, sem muito guere-guere e paetê.


Sugiro então a leitura, observando os aspectos que ressaltei, do post abaixo selecionado.
Boa Leitura.


Casa V



segunda-feira, 26 de novembro de 2012

O Homem Perfeito


O homem imperfeito acorda em sua cama macia, quente e imperfeita, deita os olhos na direcção das cortinas brancas, finas e imperfeitas, acaricia por instantes a luz solar difusa, magnificamente imperfeita e se prepara para dar o seu beijo amoroso, carinhoso, cheio de vida em sua esposa bela, forte, deliciosamente imperfeita.



Daí o dia, imperfeito, nasce através dos actos cotidianos e repetidos com a dedicação imperfeita de quem os repete. O carro, o engarrafamento, um prenuncio de chuva paulista, a marginal, a outra marginal, um marginal no semáforo, tudo irremediavelmente imperfeito!
Trabalha, almoça, ouve os sons imperfeitos dos outros imperfeitos seres que habitam o imperfeito planeta situado no imperfeito universo, criado por um ser imperfeito em caos e desordem.




Volta ao lar, imperfeitamente em ordem, seus filhos, seus amores, suas decisões, tudo compreensivelmente imperfeito… mas ele, o homem imperfeito, é antes de tudo um ser de inteligência, embora imperfeita, e sabe que a sua vida, a vida dos seus filhos, a vida de sua esposa, a vida de seus vizinhos, dos vizinhos dos vizinhos, dos outros seres da cidade, dos seres de outros países, de outros planetas, tem em comum a imperfeição e tal semelhança os faz serem perfeitamente aceitáveis!
Aceitar as diferenças é deixar de fazer juízos inúteis de valor e quantidade, é poder ser livre para amar a vida, mesmo imperfeita, e aos outros, mesmo imperfeitos e com isso atingir a perfeita harmonia.


O que devemos saber é: a perfeição habita o caos.

(anotação feita durante período de conferência de Psicoterapia e Métodos Clínicos de Aceitação de Circunstâncias psicológicas para melhor Condição de Vida – Montes Claros – Minas Gerais - 2012)


Boa

Semana, meus amigos!



segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Gosto que não se discute - Parte II

Gosto da Internet. Gosto até de mais.
Vou aqui e ali, vejo de tudo,
mas é na liberdade do imaginário que centro o meu gostar.
Podemos ser, Virutalmente, o que quisermos e nada é o que parece.
Nem nós.
Melhor do que novela brasileira, que eu tanto gosto (sou noveleiro mesmo, gravo todas a assisto na cama, à noite.)

Aqui tudo pode ser farsa, ilusão. A internet é como um sonho perpétuo. Ou como a vida....



quinta-feira, 17 de maio de 2012

Público & Privado

Coelhinhas gostam de favolas, eu goto de coelhinhas. A vida de um homem é assim, desde a adolescência aprendemos a dar para cada coelhinha uma favola mais suculenta e apetitosa. O problema é quando descontrolamos e passamos a necessitar distribuir favolas para cada coelhinha que anda perto de nós. A importância não é mais a conquista de uma coelha doce para saborear a favola oferecida e sim a nossa necessidade de oferecer nossa favola. Chamamos a isso de Síndrome de D. Juan, ou a necessidade de autoafirmação através da conquista. A ajudande de Déborah na organização da casa, Adelaide, chamo-os de "sem vergonha". Acho graça mas reconheço que se trata de um vício e que deve ser tratado em consultório médico. Ano passado perdi uma paciente por suicídio, achou no computador fotos de mais de 100 coelhinhas para as quais o marido havia oferecido sua favola. Não aguentou, sucumbiu ao desespero e, já tomada por forte depressão, motivo pelo qual se tratava comigo, deu cabo da própria vida.
Moral da História: ter moral não é vergonha, amar a uma mulher de cada vez é sinal de amadurecimento emocional e saúde, exibir-se em público é doença.
Em tempo, há coelhinhas viciadas em desejar nossas favolas, apenas para também autoafirmarem suas sexualidades patológicas.
Atenção e cuidado com o Amor é saber amar a si mesmo também.